Adoçante ou açucar?

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Adoçante ou açucar? Eis, a dúvida. Na verdade, o adoçante sempre foi coadjuvante quase protagonista nas dietas para perder peso. Mas, o que temos visto ultimamente é que o suposto mocinho pode ser também um vilão ao contrário do que se pensa. Será? Pois é, o adoçante também tem sido relacionado à doenças graves como o câncer. E então? O que é verdade? Os especialistas afirmam que o adoçante traz benefícios às pessoas justamente por evitar a ingestão excessiva do açúcar, mas, o exagero igualmente de adoçante não faz bem. Um exemplo: uma pessoa que tomar quatro latas de refrigerante dietético por dia estará consumindo na verdade 120 latinhas ao final do mês. Por isso, a recomendação é que o consumo de adoçantes também seja moderado.

É permitido, por exemplo usar até quatro pacotinhos de um grama de aspartame (em pó) e 9 a 10 gotas para os líquidos compostos por sacarina ou ciclamato. Vale lembrar que o adoçante está presente em muitos alimentos dietéticos que foram desenvolvidos para ajudar no combate a obesidade e auxílio às pessoas que não querem se manter no sedentarismo e que precisam se cuidar. O recomendável é que você faça uma dieta balanceada aliada a uma atividade física. Afinal, o adoçante pode dar uma mãozinha, mas sozinho não pode fazer nada. Concorda?

Segundo a nutricionista Aldrey Sobrinho, as pessoas que necessitam de uma restrição total no caso de diabetes ou por motivos de emagrecimento, normalmente consomem adoçantes diversos. “Elas fazem uso de um adoçante específico em casa, mas em outros lugares pode ser de um outro tipo. Nas bebidas diet ou light são outros. Esse fator, no entanto, não ocasiona danos à saúde. Na verdade, os adoçantes autorizados previamente pela Anvisa são seguros,” afirma.

Alguns esclarecimentos

O adoçante dietético é produzido a partir de componentes naturais ou artificiais, responsáveis pelo sabor doce. Eles possuem um poder maior de adoçar que o do açúcar (sacarose comum) e são recomendados para dietas especiais como as de restrição total de açúcar (no caso do diabetes) e parcial, quando a proposta é reduzir calorias para emagrecer.

A Anvisa autorizou o uso dos edulcorantes taumatina, eritritol (ambos adoçantes naturais) e neotame (adoçante artificial) em alimentos. As três novas substâncias juntam-se a outros tipos de edulcorante já utilizados no Brasil, como o aspartame, a sucralose (ambos artificiais), a frutose e a stévia (naturais). O neotame tem o sabor mais próximo ao do açúcar, e já está sendo utilizado pela indústria. A grande vantagem que apresenta é adoçar entre 7 mil e 13 mil vezes mais que o açúcar.

Apesar da existência de uma ampla variedade de adoçantes como o ciclamato, a sucralose, o acessulfame-K, o esteviosídeo, entre outros, a sacarina e o aspartame continuam sendo os preferidos pela maioria. Contudo, até pouco tempo atrás pairavam suspeitas de que a sacarina levava ao câncer. Tanto que, nos Estados Unidos, os produtos que continham a substância passaram a trazer uma tarja preta na embalagem com o alerta: ‘Pode causar câncer’. No entanto, depois de muita investigação concluiu-se que o aparecimento do câncer na bexiga estava relacionado a um mecanismo que não existe nos seres humanos, mas na segunda geração de ratos machos. Além disso, o fato se dava em decorrência do sódio presente na sacarina.

O neotame possui uma substância dimetilbutil que não libera fenilalanina (aminoácido presente na proteína do leite, em todas as carnes, ovos e leguminosas) e por isso não é metabolizado pelo organismo. Com a novidade, os portadores de fenilcetonúria (doença hereditária e diagnosticada pelo teste do pezinho, que se caracteriza pela ausência de uma enzima que participa da eliminação da fenilalanina, a qual, quando acumulada, ataca o cérebro e tende a causar problemas mentais) podem consumir o adoçante normalmente. O neotame também é recomendado para pessoas de todas as idades, inclusive diabéticos, grávidas e mulheres no período de amamentação.

De acordo com a nutricionista, a quantidade máxima de aspartame que um adulto com 60 kg pode ingerir diariamente é de 2.400 mg, o que corresponde ao consumo de 48 envelopes de 1g de adoçante dietético com 5% de aspartame, ou a quatro litros de refrigerante adoçado apenas com aspartame.

Fontes: Anvisa e Organização Mundial da Saúde (OMS)