Mioma: conheça a técnica que trata sem cirurgia

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Você provavelmente conhece alguma mulher que tem ou já teve mioma uma vez na vida, não é mesmo?

A boa notícia é que agora já existem técnicas e tratamentos menos invasivos pra tratar o problema, olha só!

Gente, o mioma é o tumor benigno mais comum do sistema reprodutor feminino, que raramente evolui para um câncer.

Mas, aproximadamente 50% das mulheres em algum período de suas vidas são acometidas pela doença, sendo que metade destas pode vir a precisar de tratamento.

O surgimento do problema ainda é desconhecido pelos especialistas, mas vale lembrar que 35% dos casos aparecem na idade fértil e é três vezes mais frequente em mulheres negras. Curioso, né?

Como eu disse lá no comecinho do post, atualmente existem diferentes tipos de tratamento para a doença. Cada procedimento tem seu benefício particular e deve ser analisado junto ao médico.

Para saber qual a melhor opção é importante entender qual o tipo de mioma e como ele está afetando a vida da mulher, tá?

“A preferência é sempre dada para os que preservam o útero, porque mantém o equilíbrio hormonal da mulher, possibilitando uma melhor qualidade de vida e uma possível gestação”,

explica o Dr. Henrique Elkis, radiologista intervencionista do Hospital São Luiz Morumbi.

Mas, como diagnosticar essa doença?

Você pode estar se perguntando, mas e aí, é possível tratar? Vou conseguir engravidar? O bebê pode ter problemas caso descubra um mioma durante a gravidez? Calma, o médico ajuda a esclarecer dúvidas comuns sobre o tema, além de desmistificar algumas questões.

O que são miomas?

É um tumor benigno não canceroso que pode se desenvolver dentro ou fora do útero, também chamado de fibroma.

Podem aparecer em formatos múltiplos ou como um mioma único. Estima-se que uma a cada quatro mulheres em idade fértil tem ou já tiveram.

Quais os sintomas?

Os mais comuns são sangramentos leves fora do período menstrual ou ciclos menstruais mais intensos e longos; dores nas pernas e pélvis; dores durante o ato sexual; dificuldade para engravidar ou abortos espontâneos.

Em alguns casos, o mioma é diagnosticado devido ao aumento do tamanho do abdômen.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do tipo de mioma, tamanho e localização é feito por meio de exames de imagem, que apresentam os resultados com mais precisão.

No caso das mulheres que não tem sintomas, como é feito o diagnóstico?

O Dr. Henrique explica que 50% das mulheres em idade reprodutiva têm o mioma. Destas, metade não apresenta nenhum sinal ou sintomas específicos da doença.

Assim, na maioria das vezes é descoberta em exames de rotina com o ginecologista, que devem ser feitos anualmente.

Quais são os tipos de tratamento existentes?
Atualmente existem três tratamentos diferentes para a doença.

A miomectomia, que é a cirurgia de extração dos tumores; a histerectomia, procedimento de remoção do útero, ambos invasivos, e o considerado moderno e inovador pelos médicos, que ainda poucas mulheres conhecem, a embolização, que é feita por um radiologista intervencionista.

O Dr. Henrique Elkis explica que a embolização é realizada por um cateter introduzido pela artéria femoral, na virilha, até alcançar os vasos sanguíneos que nutrem o tumor.

Uma medicação é injetada para cortar a irrigação do nódulo. Desta forma, o mioma tende a diminuir e os sintomas são eliminados. Após dois ou três ciclos menstruais, a paciente volta a menstruar normalmente.

A embolização é realizada com anestesia local, não deixa cicatriz e pode ser feita em apenas um dia de internação.

Geralmente o ginecologista encaminha a paciente que deseja fazer esse tratamento para médico especialista.

“Por ser uma técnica minimamente invasiva, a recuperação é muito rápida, permitindo que as pacientes retornem às suas atividades habituais apenas três a quatro dias. O procedimento é eficaz para controlar os sintomas e tratar o mioma. Além de preservar o útero e a possibilidade de fertilidade, a embolização raramente precisa ser refeita”, completa.

A embolização de mioma uterino é complicada?

Não. A embolização é responsável por interromper as vias de alimentação do mioma, que acaba morrendo após algum tempo.

A técnica da embolização uterina é minimamente invasiva, realizada anestesia local e não precisa de pontos, pois não são feitos cortes.

A embolização do mioma afeta a fertilidade da mulher?

Estima-se que 35 a 50% das mulheres engravidam sem dificuldade depois da embolização.

Aliás, pesquisas científicas mostraram que as que fizeram o tratamento para mioma uterino ou para outras patologias ginecológicas não somente engravidaram depois do procedimento, mas também conseguiram ter partos normais, o que geralmente é mais complicado, quando se faz uma cirurgia invasiva de retirada do mioma.

A embolização de mioma uterino interfere nas funções do útero?

Não. A embolização do mioma facilita a integridade estrutural do útero e sustenta a bexiga, órgãos pélvicos, intestino e ossos.

O útero ajuda a separar e a conservar a bexiga na sua posição natural. Já o intestino mantém sua composição própria e passa a ser nutrido por circulações colaterais que conservam sua vitalidade.

A embolização de mioma uterino causa dor?

Mito. A embolização do mioma uterino é um procedimento indolor, pois não há terminais de dor no interior das artérias.

Quais são os riscos associados à embolização do mioma uterino?

A embolização uterina é um dos métodos mais seguros para o tratamento de mioma, porém, como qualquer procedimento médico oferece alguns riscos à paciente.

Algumas mulheres podem sentir dor abdominal, como uma cólica, náuseas ou febre. Todos estes sintomas são controlados com medicação apropriada.

Já um pequeno número de mulheres pode desenvolver infecções, que podem ser controladas com antibióticos.

Já os casos de pacientes que tiveram lesão uterina e precisaram passar por uma histerectomia, perdendo o ciclo menstrual, isto é, entraram na menopausa após a embolização uterina, são raros.

Como é a recuperação de quem faz embolização de mioma uterino?

O período de internação é de 24 horas, não há cortes ou cicatrizes, e a paciente pode voltar rapidamente às suas atividades. Após dois ou três ciclos menstruais, a paciente volta a menstruar normalmente.

Qualquer mulher que tenha mioma pode fazer embolização uterina?

Sim. Toda mulher é potencial candidata à embolização, independente da quantidade, tamanho ou localização do problema.

Essas pacientes podem ser divididas em quatro grupos: pacientes próximas à menopausa, pacientes que já foram submetidas à miomectomia e voltaram a apresentar sintomas, pacientes com desejo de manter a fertilidade e pacientes que já entraram na menopausa e usam tratamento de reposição hormonal.

Para tratar o problema é preciso retirar o útero?

Mito. Atualmente com as técnicas existentes, a última opção para o tratamento do mioma é a retirada do útero. Mesmo em casos de pacientes que possuem grande número de miomas, há a possibilidade de conduta conservadora.

O mioma na gravidez afeta a saúde do bebê?

Mito. Durante a gestação, a mamãe pode ficar despreocupada, pois o mioma não afeta a saúde do bebê.

É possível tratar o mioma na gravidez?

Não. Neste período, o médico irá apenas acompanhar a evolução do mioma.

Em alguns casos, são recomendados remédios que podem ajudar a aliviar os sintomas, mas o tratamento é feito somente após a gestação.

Fonte: Hospital São Luiz  http://blog.saoluiz.com.br/