Tudo sobre lifting facial

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Como se sabe, o passar dos anos faz com que a pele perca a sua elasticidade natural e os sinais de envelhecimento naturalmente se manifestam, principalmente, no rosto, seja pelos efeitos da gravidade, exposição aos raios solares, além do estresse causado pelo cotidiano e, pelas conseqüências da própria idade. De acordo com o cirurgião plástico Vitório Maddarena Jr. – essas alterações ocorrem de maneira lenta e progressiva, envolvendo todos os componentes da estrutura facial.

Com a idade, parte da gordura é absorvida, os músculos se tornam mais flácidos e a pele perde elasticidade que é refletida na acentuação das rugas na testa, queda da sobrancelha, excesso de pele e rugas ao redor dos olhos, queda da bochecha e evidência do sulco entre nariz e boca. Tudo isso caracteriza uma aparência envelhecida.

Para corrigir estes casos e proporcionar o rejuvenescimento facial, o lifting é uma solução altamente eficaz, uma vez que o seu objetivo é levantar as extremidades das sobrancelhas, diminuir os “pés-de-galinha”, atenuar os sulcos que existem ao lado dos cantos da boca e proporcionar melhorias na região da mandíbula e pescoço. Na entrevista a seguir, o especialista dá mais detalhes sobre este procedimento cirúrgico que corrige o volume facial e oferece resultados naturais.

1- Lifting e ritidoplastia são sinônimos para o mesmo procedimento cirúrgico para o rejuvenescimento da face?

Sim, apenas o nome, um em inglês e o outro em português com origem grega. Rítide é como chamamos a ruga, portanto, ritidoplastia significa plástica das rugas. Já lifting significa levantamento, que é em última análise, o que se faz nessa cirurgia. Semântica à parte, trata-se do mesmo procedimento.

2- Como é o procedimento de lifting facial?

Nossa face faz uma espécie de um giro para frente e para baixo ao longo do tempo, fazendo com que os tecidos se desloquem para baixo, modificando a volumetria facial. Na ritidoplastia esses tecidos são reposicionados ao local de origem, de tal forma que o volume seja restaurado e a harmonia reconquistada.

3- Quais os principais avanços no lifting facial nos últimos anos?

A cirurgia plástica, como toda a medicina, avança constantemente. No caso do lifting, surgiram novos materiais de suturas que possibilitam reposicionamento mais sutil dos volumes, também com modificação dos vetores de tração que eliminam o estigma de rosto esticado. Mais recentemente, a cirurgia videoendoscópica ganhou terreno neste procedimento, permitindo o tratamento do 1/3 superior da face (testa e sobrancelhas) através de pequenas incisões no couro cabeludo pelas quais se colocam os instrumentais e uma câmara, e a cirurgia é feita pelo vídeo.

4- Em quais situações e a partir de qual idade ele é indicado?

Não há uma idade pré-estabelecida, o que existe é a indicação do tratamento a partir do diagnóstico. Hoje, com os inúmeros tratamentos não cirúrgicos que previnem e tratam a flacidez facial, o lifting se tornou uma indicação para cada vez mais tarde na vida de uma pessoa, ou seja, a partir da quinta década de vida.

5- Que tipo de pessoa pode ser submetida ao lifting?

Como o lifting é uma cirurgia de reposicionamento dos volumes faciais, a indicação é para aqueles casos em que já houve mudança da volumetria facial, geralmente acompanhada de flacidez.

6- Há alguma contraindicação para sua realização?

A contraindicação do lifting é a mesma para qualquer outro tipo de cirurgia, ou seja, condições clínicas. Há, porém, ressalvas para pacientes fumantes, que normalmente apresentam comprometimento da microcirculação sanguínea, dificultando a cicatrização.

7- Os resultados podem ser percebidos a partir de quanto tempo após a realização do lifting?

Os primeiros sinais podem ser percebidos após 10 a 16 dias. Mas, o resultado final se obtém depois de três meses.

8- Ele contribui para o reposicionamento do volume facial?

Sem dúvida. A proposta do lifting é o reposicionamento dos volumes faciais e retirada de excesso de pele, mas sempre lembrando que não se deve pensar que essa cirurgia seja “esticar” a pele. Ao contrário, a pele é tratada como um revestimento, o importante é o que está por baixo.

9- O lifting pode ser realizado e acompanhado de algum outro procedimento estético, como a aplicação de toxina botulínica ou ácido hialurônico?

A toxina botulínica requer alguns cuidados, como não manipular a área onde foi aplicado por um período de cerca de 4h, portanto não se deve aplicar toxina botulínica durante a cirurgia. Já a aplicação do ácido hialurônico, que é um preenchedor, pode ser combinada com a cirurgia, potencializando o resultado final.

10- Quais os cosméticos e hábitos mais indicados após a realização do lifting para manter os resultados da cirurgia?

O uso do filtro solar é fundamental, além disso, cremes específicos para estimular síntese de colágeno e renovação celular, clareadores etc. É importante salientar que o processo de envelhecimento não cessa e a face é dinâmica, requerendo cuidados constantes, como peelings, aplicação de laser, toxina botulínica, preenchedores, entre outros procedimentos estéticos , a fim de aumentar a duração e o alcance dos efeitos da cirurgia.

11- Qual a principal recomendação médica para uma pessoa que irá realizar o lifting facial?

Em primeiro lugar a pessoa deve se consultar com um cirurgião plástico que seja realmente especialista. Para isso, basta consultar no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br).  Durante a consulta, procurar esclarecer  todas as dúvidas, como alcance da cirurgia, limitações, expectativas, cuidados e pré e pós-operatórios. Seguir corretamente todas as recomendações do médico e comunicar a ele todas as anormalidades e dúvidas.

Vitório Maddarena Júnior é cirurgião plástico (CRM-SP 64.301) formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, Membro da Associação Paulista de Medicina (APM), Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Membro Associado da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina (SBLM) e integrante do corpo clínico do Hospital São Luiz. Atualmente é diretor da Clínica Maddarena Cirurgia Plástica Medicina Estética, em São Paulo. É autor do capítulo “Fístula Umbilical Pós-Abdominoplastia” do livro Atualização em Cirurgia Plástica, editado pela SBCP-SP.

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